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Biopolítica e género: poder, estado e mercado numa economia transnacional do corpo


 
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1. Título Título do documento Biopolítica e género: poder, estado e mercado numa economia transnacional do corpo
 
2. ##rt.metadata.dublinCore.primaryAuthor## ##rt.metadata.pkp.primaryAuthor## Sofia Aboim; ICS - UL; Portugal
 
3. Assunto Área(s) do Conhecimento
 
3. Assunto Palavras-chave(s)
 
4. Descrição Resumo O trabalho de Michel Foucault continua, hoje, a oferecer o dispositivo
conceptual para compreender o género de um ponto de vista biopolítico. Nesta
perspectiva, o género não é tanto e apenas uma questão de representação
respeitante à formação de imagens sobre o alinhamento de um significador
masculino ou feminino com uma categoria social significada e binarizada de
homem ou mulher, mas, sobretudo, um aparato institucional em que todos os
corpos são absorvidos e classificados. Estas classificações são assim
criadoras de efeitos materiais e constituintes de formas de controlo transversais
a todo o tipo de práticas estatais e sancionadas pelo estado. As relações de
género são, deste modo, parte integrante dos mecanismos de poder exercido
sobre uma determinada população, num dado território, em que se mobilizam
estruturas e práticas administrativas. É, assim, a partir da obra de Foucault que
se elabora uma crítica aos métodos epidemiológicos utilizados para contabilizar
a população transgénero e construir a sua cada vez mais contestada
classificação biomédica. Em face da diversidade de género existente sob o
chapéu trans e da não-conformidade com modelos binários de género, é
necessário analisar as formas através das quais o saber-poder médico
contribuem para reificar o sistema categorial de género, normalizando a
transgressão, como, aliás, sugere, Foucault com o seu conceito de poder
normalizador e regulatório. Através de uma genealogia da equação entre
controlo e resistência, a população transgénero, enquanto alvo de particular
patologização e medicalização, permite-nos explorar duas ideias centrais. Em
primeiro lugar, a biopolítica do (trans)género, enquanto medida de legitimação
ou contestação de classificações binárias e reprodutivas de uma ordem
heteronormativa que integra e normaliza a transgressão. Em segundo lugar,
argumenta-se, expandindo a proposta de Foucault, que, cada vez mais, o
biopoder e o controlo operam para além do Estado, ainda que de forma
cúmplice. Nas últimas décadas, o papel do capitalismo neoliberal transnacional,
com as suas estratégias de mercantilização e colonização do Estado – que não
poderiam ter sido inteiramente previstas por Foucault na altura da sua morte
(1984) – têm contribuído para produzir um mercado global de “corpos” e
“categorias” para além das fronteiras do estado-nação e dos seus mecanismos
de controlo institucional. Propõe-se assim que, para compreender o legado de
Foucault, há também que repensar o biopoder como elemento mercantilizado,
tal implicando uma ampliação das formas de controlo sobre o género dos
corpos que, como propomos, expande a formulação original do autor,
considerando a economia política dominante nas sociedades contemporâneas.
 
5. Editora Editora, localização
 
6. Contribuidor Patrocínio
 
7. Data (YYYY-MM-DD) 2016-11-05
 
8. Tipo Situação & gênero Avaliado por Pares
 
8. Tipo Tipo
 
9. Formato Formato do Documento
 
10. Identificador Identificador Universal Único (URI) http://fcshocs.fcsh.unl.pt:80/index.php?conference=foucault40&schedConf=mf40vs&page=paper&op=view&path%5B%5D=358
 
11. Fonte Título da Revista/conferência; V., No. (ano) Revisitar Michel Foucault: A Vontade de Saber 1976-2016; Revisitar Michel Foucault: A Vontade de Saber 1976-2016
 
12. Idioma Português=pt pt
 
13. Itens Relacionados Docs. Sups.
 
14. Cobertura Localização geográfica, cronológica, amostra (género, idade, etc.)
 
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