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Assexualidade: uma leitura a partir da pulsão de morte
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Data: 2016-11-25 02:30 – 04:00
Última alteração: 2016-11-16
Resumo
A manipulação da sexualidade em sua trajetória de repressão e liberação não ocorreu de modo aleatório nem tampouco desprovido de interesses políticos e económicos. Ernst Junger em seus ensaios sobre a primeira guerra mundial verifica a sinergia entre guerra e trabalho e cunha a expressão mobilização total que seria a erosão de todos limites, permitindo ao gênio da guerra permear os limites do progresso e converter a vida em energia de modo que a ação e a mobilização são o imperativo. E vai além quando afirma que “não basta mais armar o braço que carrega a espada, é preciso uma armação até a medula, até o mais fino nervo da vida” (Jünger, 2002, p. 195), sendo que a armação ou estrutura de mobilização total antes existente apenas em períodos de conflito, se torna permanente. A mobilização total empreendida nos períodos de guerra, foi dinamizada com os avanços sociotécnicos posteriores, gerando uma gigantesca trama totalitária que administra e estimula as energias e os conflitos íntimos. Neste espaço hiperexcitado e acelerado circula um sujeito aturdido e cansado que, apesar das repetidas excitações ou pequenos gozos, sente-se vazio e recorre em última instância a regressão e aspiração de repouso na desconstrução total dos vínculos humanos, isto é, um repouso na pulsão de morte. Diante desta perspetiva, exploramos no presente artigo a crescente produção teórica sobre a assexualidade após Bogaert (2004) ter difundido o seu estudo inicial sobre o tema. Analisamos três das quatro obras principais produzidas sobre a temática – Asexuality Archive (2012), Bogaert (2012), Decker (2014) – e o material disponível no principal blog da internet que versa sobre a temática, AVEN, buscando identificar traços de pulsão de morte em acordo com a teoria freudiana e pós-freudiana especialmente na abordagem do psicanalista egípcio André Green.