Conferências da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - UNL, Revisitar Michel Foucault: A Vontade de Saber 1976-2016

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A ciência do biopoder: Para uma nova economia dos vivos
José Brás, Maria Neves Gonçalves

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##manager.scheduler.room##: Auditório 2
Data: 2016-11-25 11:30  – 01:00
Última alteração: 2016-11-16

Resumo


Enquanto a vida não adquiriu valor, não houve necessidade das doenças que matam o corpo serem temidas. Esta atitude de despojamento era ainda reforçada pela vivência do próprio sofrimento provocado por uma situação de doença, condição considerada necessária para adquirir a salvação. De tal forma era assim que, nem o alívio da dor era procurado nem o desconforto que daí advinha era evitado. O mal-estar era reconhecido e era procurado. A economia da salvação apenas incidia sobre a salvação da alma. O progresso do espírito não era feito em comunhão com o cuidar da vida, com as preocupações com a saúde e o bem-estar. Neste sentido, colocamos a seguinte questão de partida: Como se deu em Portugal, a partir do século XVIII, a mudança de sentido atribuído à vida? Assim, definimos como objectivos: Relacionar o momento biopolítico com a implementação do paradigma imunitário e Interpretar como se passou do paradigma da conservação da vida para o da potenciação. As fontes utilizadas foram: Tratados de Educação Século XVIII e XIX; Tratados Doutrinários; Relatórios estatísticos; Memórias; Ensaios; Congressos; Legislação; Imprensa, Actas da Câmara Municipal de Lisboa (1908-10). No que respeita à metodologia, as fontes foram exploradas, tendo o dispositivo como uma ferramenta analítica (Foucault 2000, p.244). Como conclusão podemos dizer que o modelo organicista, defendido pelos positivistas portugueses, serviu para interpretar a sociedade como um organismo que precisava de ser defendido dos agentes patológicos, que colocavam em risco a sobrevivência do corpo, justificando medidas que levassem ao fortalecimento do sistema imunitário. A tecnologia sanitária da população fez-se através de vários dispositivos: medicalização da sociedade, da escola e da educação que fizeram ver e falar segundo a lógica da racionalidade médica (biologização da política e uma politização da bios). Neste sentido, a medicina é uma estratégia bioplítica.