Conferências da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - UNL, Revisitar Michel Foucault: A Vontade de Saber 1976-2016

Tamanho Fonte: 
Biopolítica ou biotécnica?
Marcos Nalli

##manager.scheduler.building##: Torre B
##manager.scheduler.room##: Auditório 2
Data: 2016-11-25 11:30  – 01:00
Última alteração: 2016-11-16

Resumo


Considerando as reflexões abertas por Foucault, os modelos ditos democrático-liberais não são um locus privilegiado de exercício de liberdade, e mais que isso, apontando para estratégias variadas, dissimuladas de estratégias de defesa (interna e externa), tais modelos governamentais assumem feições inegavelmente totalitárias. Portanto a biopolítica declina-se numa tanatopolítica. Mas tal declinação autoriza-nos a falar de fim e ocaso da política? Ou estaríamos assistindo a emergência de novos modelos de racionalidade governamental e política? Admitindo a possibilidade de responder afirmativamente a tais questões, urge portanto criar novos meios, teóricos e práticos, para pensar e agir nessa nova realidade que é a biopolítica, que tem nas nossas vidas sua razão de ser e de exercício, como fim e valor. Nossa proposta é que a biopolítica pode ser compreendida como biotécnica, isto é como um conjunto de estratégias e medidas que são simultaneamente políticas e técnicas, cujo fim é a produção de uma série de fenômenos diretamente atinentes à nossa condição vital, inclusive a morte. Assim, a biopolítica transfigura e altera o sentido último, o modus essendi da política, a partir de uma perspectiva tecnológica: a política é comprometida a partir da transfiguração do próprio agir político e da transformação da natureza do homem em sua caracterização como agente político. Neste sentido, as operações efetuadas pela biopolítica são símiles àquilo que Bachelard chamou de fenomenotécnicas, cujo principal efeito não é a descoberta de verdades, mas a criação de novos fenômenos alçados à condição de objetos científicos. A biopolítica faz exatamente a mesma coisa. Minha hipótese é que isto se deve não por mera coincidência, mas sim que as fenomenotécnicas das novas teorias científicas assim como as transformações introduzidas pela biopolítica nascente no fim do século XIX são faces de um meta-fenômeno comum.